quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

O novo...

De repente me pego com uma sensação diferente, um não sentir. Pés, mãos, perna, corpo, nada. Também não sinto cheiro. É como se não tivesse nada a minha volta ou como se o próprio nada estivesse a minha volta. Abro os olhos com medo do que posso ver e então a claridade do lugar quase me cega. Levo um tempo até me acostumar com a mudança repentina: escuridão - luz. É como se eu estivesse usando meus olhos pela primeira vez na minha vida, como se eu acabasse de nascer. Aos poucos meus olhos vão se acostumando com aquele novo mundo e começo a me sentir. Mesmo estando na minha forma adulta sinto como se aquilo fosse novo pra mim. Olhos para as minhas mãos e cada detalhe antes não visto agora é observado com paciência. Observo o resto do meu corpo e tenho a mesma euforia de quando vi as minhas mãos. Sinto a grama fresca sob os meus pés me fazendo cócegas e a minha frente há um paisagem tão linda como nunca antes vista. Então, do nada, algo parece me levar. É o vento. Sinto uma leveza tão grande no meu corpo, como se estivesse voando, e um forte farfalhar nas minhas costas, como se fossem asas. O vento pára e eu começo a cair. Acordei encolhida na cama como um feto que acaba de nascer.

Um comentário:

Luísa Couto disse...

Mafa??

mafa???

MAFAAA

Foi vc que escreveu isso?

Simplesmente sem palavras... Muito perfeito!!
Me lembrou um outro texto[ um texto diferente, mass me lembrou =)] que conheço e que acho lindo!

Mafa, esse texto ficou simplesmente perfeito!

bj